A urbanização é um fenômeno mundial. A migração das pessoas para as cidades é um processo cada vez mais crescente, e provavelmente irreversível. Muitos dos métodos e estratégias pastorais, entre aqueles que exercem o ministério no contexto urbano, em muitos casos continuam sendo rurais. Por exemplo: ser pastor na cidade de Santa Rita do Paruá, Maranhão, é muito diferente de ser pastor em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Os contextos, as necessidades e os desafios são diferentes. Não há um padrão ou modelo de pastorado que sirva para todas as situações.

O pastor urbano deve aprender que a geografia e o nível sociocultural de sua cidade são importantes para que seu ministério seja eficaz.

O pastor urbano precisa levar em consideração que seu ministério não será o mesmo que ele desenvolveu na cidade anterior (quando há mudança).

O pastor urbano deve aprender que as estratégias devem ser construídas a partir da “realidade” de sua cidade ou bairro, pois, muitos “métodos” utilizados atualmente ainda dizem respeito a contextos que pouco tem a ver com sua realidade ou com as nossas cidades e com a cultura brasileira.  Para melhor visualizar a realidade contextual e a necessidade de avaliá-las vejamos algumas diferenças marcantes entre do pastor urbano e do pastor rural.

Pastor rural:

  • Maior flexibilidade com relação aos horários;
  • Maior facilidade de locomoção devido ao menor índice de congestionamentos;
  • Maior interatividade entre as pessoas;
  • Boa parte dos membros não tem compromissos com escola, trabalho, clubes, shoppings, redes sociais etc.

Pastor urbano:

  • Menor flexibilidade com relação aos horários;
  • Menor facilidade de locomoção devido ao maior índice de congestionamentos;
  • Menor interatividade entre as pessoas;
  • Boa parte dos membros tem compromissos com escola, trabalho, clubes, shoppings, redes sociais etc.

Evidentemente, existem as diferenças culturais. O pastor numa cidade rural tem dificuldade para ter acesso a certas tecnologias e até mesmo ter acesso a espaços de cultura, tais como: bibliotecas, museus, livrarias, teatros etc. Em uma cidade mais urbanizada, porém, tais dificuldades são eliminadas, pois os recursos são encontrados.

No que diz respeito às questões administrativas, o pastor rural é mais prático e sua organização é mais flexível em contraste com o pastor urbano, que precisa ser mais metódico e sua organização sofre em função do estresse e do cumprimento de sua agenda e de sua dependência tecnológica.

Por fim, em relação ao aspecto missiológico, para o pastor rural, existe uma estratégia coesa na proposta evangelística, pois sabe-se que a maioria das religiosidades são compostas de católicos e evangélicos, apresentando, nesse sentido, um contraste de religiosidades sem complicação. No caso do pastor urbano, entretanto, ele tem de lidar com a pluralidade das diversas linhas de pensamento, várias práticas de religiosidades diferentes, relativismos éticos e estéticos e tantos outros “ismos” existentes na cultura de sua cidade.

Segundo a Convenção Batista Brasileira, em seu livro centenário, publicado por ocasião da sua assembleia anual, ocorrida na cidade de Ourinhos, interior de São Paulo, em um dos seus temas, foi considerado como deverá ser o pastor batista do futuro. Chegou-se, enfim, à conclusão de que o perfil aprovado, ou as qualidades desejáveis, do pastor batista do futuro, deverá ser:

  • Sintonia com a cultura;
  • Flexibilidade;
  • Capacidade relacional;
  • Capacidade de boa comunicação;
  • Capacidade para grandes empreendimentos;
  • Capacidade de assumir riscos;
  • Piedade e integridade;

Cremos que possuir estas qualidades ainda não é o suficiente, e até mesmo as consideramos indiferentes ou desnecessárias, se comparadas ao compromisso de ser – acima e antes de tudo – “servo” do Senhor Jesus Cristo, de sua palavra e de sua igreja.

Na perspectiva do professor Jorge Barro da FTSA – Faculdade de Teologia Sul Americana, o pastor urbano é um pesquisador em sua cidade, onde procura coletar dados e fazer uma interpretação do seu contexto para ser mais relevante na missão integral da igreja. O Professor assevera que: “A ausência da contextualização e da globalização leva o pastor a imitar, copiar, sistematizar, rotinizar e profissionalizar seus ministérios e métodos. O pastor urbano precisa aprender que a geografia da sua cidade é um elemento crucial para que seu ministério seja eficaz e eficiente. O pastor urbano precisa aprender que os métodos devem ser construídos a partir da realidade de sua cidade ou bairro. Muitos dos métodos utilizados hoje dizem respeito a contextos que pouco tem a ver com a realidade das nossas cidades e da cultura brasileira.”

Para concluir, podemos afirmar que o pastor urbano de “sucesso” é aquele que investe tempo e esforços, não no prestígio, status na denominação ou evidência entre os evangélicos, mas na consciência de seu papel nas transformações e investimentos que apontem para glória de Deus.  O pastor urbano não deve perder de vista que seu interesse principal deve ser fazer o melhor para Deus, cuidando fielmente de suas ovelhas sem isolamento e sem condicionamento financeiro. Ele deve ter convicção de seu chamado assim como Neemias teve a convicção de seu chamado para liderar seus compatriotas a reerguerem os muros caídos de sua terra de origem. Muitos pastores estão preocupados consigo mesmos, não tendo empatia com suas ovelhas, liderados e nem senso do principal objetivo da Palavra de Deus: proclamar a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Tais pastores vivem um “pseudo-sucesso”, que logo se revelará inútil.

Sandro Pereira
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