Introdução

Há muito tempo se vem discutindo o lugar e o papel do erudito teológico –  aquele que se esmera na vanguarda do aprendizado sistemático da teologia em seus mais diversos métodos e na docência em centros de formação ministerial ou faculdades teológicas –  no ministério pastoral e nos exercícios ministeriais.

É certo também que muitos já questionaram a interação entre as figuras pastorais e eruditas na vida cotidiana da igreja. Todo pastor deve ser um erudito? É possível na erudição haver espaço para a chama da vocação pastoral? Certamente essas são perguntas frequentes para aqueles que transitam nos corredores dos seminários ou estão nos bancos das igrejas locais quando o assunto é ministério.

No imaginário popular há uma distinção entre a figura do teólogo erudito e o pastor. Para muitos, o teólogo geralmente é aquele sujeito sem carisma, descompromissado da vida relacional comum da igreja, amante de boa e densa literatura (de preferência que tenha compromisso com as línguas originais da Bíblia!) e que dedica seu tempo na solidão de seu escritório produzindo um tipo de literatura tão seleta que poucos terão a oportunidade de ler e compreender enquanto que o pastor, dada a natureza de sua vocação, é aquele sujeito simples, relacional, com um amor genuíno pela Bíblia e que dedica grande parte de sua agenda para atender aos anseios emocionais e espirituais de suas ovelhas, embora com um conhecimento bíblico, o mesmo não precisa ser tão profundo pois seu papel está mais ligado no amor e no cuidado do que na docência e no ensino teológico.

Tal visão, tem causado um grave problema ministerial para a igreja brasileira e tem limitado e confundido a relevância e a atuação daquele personagem que a Bíblia denomina pastor-mestre tanto na vida litúrgica da igreja quanto no exercício do aconselhamento bíblico, foco deste trabalho.

O presente artigo, portanto, tem como proposta versar sobre a dificuldade de compreensão entre a erudição e a vida pastoral e suas implicações benéficas para o aconselhamento bíblico. O artigo discorrerá em três linhas de argumentos que no final contribuirão para uma formulação eficaz do tema e concluirá que todo conselheiro bíblico deve ser um vocacionado atuante no ministério, profundo conhecedor das doutrinas e verdades bíblicas e apto para ensina-las de forma transformadora para seus aconselhados.

O que é Erudição Teológica

O que significa dizer que alguém é um erudito em algum assunto? A erudição é um dom ou uma retribuição por esforço dedicado sobre algo? É um adjetivo dado a alguém que o coloca em um patamar diferenciado entre os iguais? É possível ser erudito e ainda assim comungar da vida comum e piedosa da igreja local?

Essas e outras tantas perguntas podem ser feitas quando trata-se de um assunto tão pouco abordado como esse. A erudição teológica – aquela que trata especialmente dos assuntos relacionados à ciência da Teologia em seus diferentes métodos – tem sido confrontada desde que atribuiu-se ao desejo de estudar com mais profundidade algum ramo da teologia um grande perigo de esfriamento espiritual.

Desde que o pentecostalismo popularizou o chamado “ministério leigo” no ínicio do século XX a figura do pastor deixou, de forma gradativa, de estar associada com a erudição teológica. O pastor passou a não mais transitar nos meios de produção acadêmica, nas universidades ou em locais de formação de opinião para se dedicar ao acompanhamento exclusivamente espiritual e religioso das suas ovelhas. O versículo “A letra mata mas o espírito vivifica[2] nunca fora tão mal interpretado como desde então. Mas afinal, o que significa erudição e como ela se aplica à vida do pastor e do conselheiro?

Uma coisa deve ser esclarecida prontamente aqui: ao confundir erudição com vida acadêmica deve-se definir o melhor caminho para classificar o que signifique ser erudito.

Em algum aspecto, todo pastor deve ser tanto um erudito quanto ter uma vida acadêmica relevante. Como erudição define-se aqui algo relacionado com a perícia sobre algum assunto que traz resoluções, transformações e contribuições preciosas sobre aquilo em que ela é manifesta. Uma instrução vasta e variada que é adquirida pelo afinco do estudo e que gera competências e referências para quem a possui: o erudito.

Nesse aspecto todo pastor deve ser um erudito. Ele deve dedicar-se tanto ao estudo das Escrituras que se torne uma referência de sua aplicabilidade e transformação na vida dos que o procuram. O pastor deve, na figura do erudito, adquirir primeiramente para si e posteriormente para as pessoas ao seu redor tamanha instrução e perícia bíblica que todo o conselho que sair de seus lábios seja o conselho de Deus. A erudição aqui significa um conhecimento vivo e profundo da palavra de Deus que é capaz de se mostrar útil na vida das pessoas. Esse tipo de erudição, viva e dinâmica é diferente da erudição morta e sem muito poder de transformação: o academicismo estéril.

O apóstolo Paulo fala sobre esse esforço e dedicação que resultam em erudição. Em Cl 1.28-29 tem-se:

“O qual nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso também trabalho, lutando segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.”

No texto citado percebe-se a preocupação e esmero Paulino em se dedicar a um nível de aprendizado (baseado em árduo trabalho e luta!) para ter um conteúdo transformador e profundo da Palavra de Deus para que as pessoas ao seu redor sejam beneficiadas e ensinadas “em toda a sabedoria”, mas de uma forma viva e dinâmica que gere nelas as perfeição disponível em Cristo. A erudição aqui, como sinônimo do que já fora argumentado acima, se torna totalmente necessária e útil na vida ministerial, uma vez que seu bom uso gera transformação de vida.

Outra pergunta precisa aqui ser respondida: Como se adquire erudição? Não haverá caminhos fáceis ou atalhos. Toda erudição é fruto de investigação, estudo e dedicação. Para que o vocacionado alcance um patamar de compreensão bíblica que gere transformações para a glória de Deus ele deverá dedicar-se com afinco a um ritmo de estudos e pesquisas, algo que seminários e faculdades teológicas proporcionam com facilidade. Conclui-se, portanto que erudição não é possível sem dedicação e aplicação aos estudos  e que a verdadeira erudição não se distancia da vida acadêmica mas se distingue dessa quando o academicismo estéril é a ênfase dessa erudição. A verdadeira erudição teológica transforma vidas e as conduz para o conhecimento de Deus e sua vontade.

O pastor como um Erudito

Uma vez compreendida a melhor definição de erudição tem-se uma urgência em argumentar sobre a relação intrínseca entre o pastoreio e a verdadeira erudição teológica.

Contrário ao pensamento que permeia o imaginário popular historicamente a figura do pastor sempre esteve associada à figura de um erudito. Desde os primeiros séculos a figura do pastor ou líder da igreja estava associada a uma autoridade intelectual sobre os assuntos da fé e tal índole perpetuou-se durante toda a idade média e adentrou o renascentismo. Na Inglaterra da Idade Moderna os reverendos, assim denominados pelas igrejas oriundas da Reforma Protestante, eram aqueles pastores reconhecidos pela sua destreza e empenhos acadêmicos devotados à Escritura e Teologia. Ser pastor portanto, significava ser o “médico das almas” e ao mesmo tempo erudito das Escrituras.

Em Ef. 4.11 está registrado um conhecido texto que traz um pouco do que este artigo se propôs a discutir. Nas palavras de Paulo o versículo citado mostra-se assim:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,”

O que esta breve citação pretende afirmar é que Cristo deu à sua igreja uma condição de se manter firme, fiel e expectante no exercício de aperfeiçoar seus membros para o serviço cristão de ser sal e luz e não se corromper com as tentativas mundanas de desvirtuarem os pilares da fé genuína. Ao fazer isso, Cristo dá à sua igreja dons em formas de pessoas dedicadas a esse fim. A ênfase no texto não está na estrutura hierárquica ou ministerial da composição eclesiástica, mas na forma como pessoas são utilizadas como instrumentos divinos para que a igreja alcance seu propósito. Em outros termos, pode-se pensar assim: Cristo deu pessoas à igreja como um dom e não dons para pessoas na igreja. Os dons não devem ser vistos como uma mercadoria que cada um deve se apropriar conforme sua posse, mas, ao invés disso, o cristão deve buscar ser aquele o qual o dom será manifesto na igreja para o benefício do corpo de Cristo. E como isso pode ser relevante para essa pesquisa? Os pastores constantemente devem pensar sobre si em conformidade com o apóstolo Paulo ao afirmar que Cristo os deu para sua igreja para cuidar e ensinar cada cristão aperfeiçoando-o de tal forma que ele alcance a solidez e firmeza doutrinária que o mantenha inabalável às investidas malignas e o aconselhamento bíblico é uma importante ferramenta ministerial para o alcance desse objetivo. É pela via do aconselhamento, bem mais em oportunidade e em qualidade de envolvimento íntimo e pessoal que o pastor tem condições de ensinar biblicamente suas ovelhas diante de dilemas que elas enfrentam nos desajustes de suas emoções. O gabinete de aconselhamento é o ambiente de tratamento daquilo que apenas a pregação não pode alcançar.

Nas palavras do pastor americano John Piper (2016):

“Se as ovelhas não precisassem entender a Bíblia, Deus não teria dado pastores que são aptos para ensinar. Os pastores apenas leriam a Bíblia no domingo de manhã e as pessoas veriam e sentiriam tudo o que necessitassem. Nem pregação nem ensino seriam necessários. Mas não foi assim que Jesus designou as coisas. O trabalho do pastor consiste em estudar a Bíblia, trabalhar com afinco para entender o que ela realmente diz e, depois, empenhar-se para torna-la compreensível, atraente e convincente ao seu povo.”[3]

Ao falar para o jovem pastor e seu filho na fé Timóteo em 1Tm 3.2 o apóstolo ressalta que o obreiro deve entre outras coisas “ser apto para ensinar” implicando que parte do trabalho pastoral é aplicar a verdadeira erudição teológica – usar a mente para chegar ao verdadeiro entendimento bíblico e sua aplicação prática – para orientar pessoas que mesmo portando sua bíblia particular não conseguem compreender as verdades eternas contidas nos textos bíblicos.

Em outro contexto, pela pena de Lucas em Atos 20 tem-se registrada a importante contribuição paulina sobre o entrelaçamento ministerial entre erudição e pastoreio. No versículo 20, o apóstolo fala da estratégia usada para cuidar e ganhar pessoas para o evangelho e ele o faz a partir do ensino público e privado das Escrituras “jamais deixando de anunciar coisa alguma proveitosa”. Na sequência ele afirma testificar suas verdades a partir de sólida argumentação contundente. O que Paulo faz aqui é utilizar a mente e os argumentos racionais para levar seu público ao verdadeiro entendimento das Escrituras com a finalidade de tornar “todo homem perfeito em Cristo” (Cl. 1.28).

Ainda sobre a figura do pastor como um erudito é importante mencionar a preocupação das epístolas pastorais sobre a profundidade doutrinária que os líderes deveriam possuir para que os mesmos utilizassem de seus argumentos para fazer com que seu rebanho fosse protegido de ataques externos e questões internas de falta de fé. Ao observar 2Tm 2.15 percebe-se então a razão pela qual Paulo exige que o obreiro saiba manejar bem a palavra da verdade. O termo utilizado aqui pelo apóstolo era aplicado à figura do alfaiate no ato de cortar precisamente a matéria-prima de sua confecção no intuito de evitar o máximo de desperdício e aproveitando assim com o máximo de precisão o que tinha em mãos. O obreiro, então, assim como o alfaiate, deve manusear bem a Escritura a ponto de evitar o desperdício de seus ensinos não alcançando assim a necessidade daquele que o procura e ao mesmo tempo tendo máxima precisão na aplicação da verdade. Não há, portanto, alguma forma de desvincular o papel e a figura pastoral – visto como aquela dedicada ao cuidado das emoções e proteção do rebanho de Cristo das ciladas do inimigo – da figura do erudito – aquele que se esmera em conhecer a verdade para aplica-la em seu exercício. É claro que onde o intelectualismo academista predomina corre-se o risco de transformar a fé cristã em um linear sistema argumentativo de pressuposições filosóficas e aqui reside o grande perigo da não compreensão do que a palavra erudito deve significar no meio teológico. O erudito tem o trabalho de trazer à compreensão de todos que a fé cristã é um sólido sistema de vida real e arrebatador e que as Escrituras tem o poder de governar e direcionar os caminhos dos homens derrubando as falsas visões de mundo construídas ao longo das eras. O erudito alinha mente e coração e os conduz para a glória de Cristo.

Como a erudição auxilia no Aconselhamento Bíblico

Apresentar o conselho de Deus através de sua sagrada Palavra que tem o total poder de reorientar o foco da adoração no coração é o propósito do Aconselhamento Bíblico Noutético. Para tal propósito alguns elementos são essenciais e não podem ser desconsiderados no ato de aconselhar, na vida do conselheiro e na vida do aconselhado.

Durante o aconselhamento faz-se necessário que o centro do diálogo e da observação seja a Escritura em seus sessenta e seis livros inspirados por Deus distribuídos em dois testamentos e compostos por diversos gêneros literários utilizados pelos seus autores humanos para transmitir as verdades divinas. Deus decidiu deixar revelado em forma de livro tudo o que a humanidade poderia conhecer a seu respeito, sua obra redentiva e a condição do mundo contaminado pela queda. Neste livro, aqueles que são resgatados pelo Senhor podem saber qual é todo o seu conselho e podem extrair de suas páginas a forma como Ele deseja que seus filhos vivam e o adorem. Tal livro, que foi escrito em linguagem humana, por homens que foram inspirados para colocar em forma de texto exatamente aquilo que Deus desejou certamente é um livro capaz de ser compreendido e estudado. Não haverá aconselhamento bíblico se a Bíblia não for o centro, o alicerce, a coluna e o horizonte da mudança. Não haverá reorientação do coração se a Bíblia não for compreendida e estudada em toda sua profundidade e riqueza.

O aconselhamento bíblico também exige que a aqueles que estão envolvidos no processo não apenas sejam apresentados à Escritura mas que sejam expostos à Palavra compreendendo as verdades divinas que brotam das diversas porções bíblicas utilizadas nos encontros e que, uma vez expostos e ensinados possam agora aplicar o texto bíblico em suas vidas e situações que vivem.

Em certa medida o trabalho do conselheiro pode ser comparado ao trabalho do hermeneuta. Ambos têm a tarefa de usar a regra de ouro da hermenêutica para que seu público compreenda a mensagem divina. Observar, interpretar e aplicar.

Nas palavras de OSBORNE (2009) observa-se que:

“A hermenêutica é importante porque capacita a pessoa a se movimentar do texto para o contexto, para que o significado inspirado por Deus na Bíblia fale hoje com uma relevância tão nova e dinâmica quanto em seu ambiente original. Além disso, pregadores e professores devem anunciar a Palavra de Deus em vez de suas opiniões religiosas repletas de subjetividade. Só uma hermenêutica bem definida pode manter alguém atrelado ao texto. A falácia básica de nossa geração evangélica é a do “texto-prova”         , processo pelo qual uma pessoa “prova” uma doutrina ou prática simplesmente se referindo a um texto sem observar seu significado original inspirado. Muitos programas de memorização de versículos, apesar do valor intrínseco, praticamente incentivam as pessoas a desprezarem o contexto e o significado de uma passagem, aplicando-a superficialmente às necessidades imediatas.” [4]

O autor ressalta a importância da tarefa de uma “boa hermenêutica” – aquela que está comprometida com os fundamentos ortodoxos de interpretação bíblica e que se estabelece em seus princípios históricos e gramaticais – para que o aconselhado tenha a oportunidade de entender com clareza o real sentido e significado do texto que é compartilhado no momento do aconselhamento bíblico. De muito pouco, ou quase nada servirá meramente citar textos bíblicos não aplicáveis à situação e totalmente desconexos de seu contexto original na tentativa de mudança do coração e atitude do aconselhado. O conselheiro, como um erudito teológico e bíblico deverá dominar os princípios de interpretação hermenêuticos e aplica-los, via análise contextual, exegética e homilética, o texto, ou grupo de textos exatos para cada tipo de situação.

A equação hermenêutica ObservarInterpretar – Aplicar pode aqui ser explorada para demonstrar sua importância na prática do Aconselhamento.

Em seu livro A interpretação bíblica, ZUCK (2012)[5] traz uma esclarecedora sequência de perguntas sobre o processo hermenêutico relacionado à equação acima citada. Ele diz que observar equivale à perguntar para o texto: O que você diz? A segunda etapa, a interpretação indaga: o que isso quer dizer? A terceira parte então questiona: Como isso que você diz se aplica a mim? “Observar significa descobrir, interpretar significa digerir. A observação consiste em descrever; a interpretação em determinar sentido.”, afirma o autor.

O conselheiro deve aproveitar a rica oportunidade de estar junto com o aconselhado tendo a Bíblia como instrumento que os une e trazer à luz do entendimento tudo o que o texto bíblico escolhido tem como verdade divina para ser aplicada na mudança de vida. O aconselhado deve aprender a observar a Palavra de Deus e perceber a sua grandeza e profundidade dedicando-se ao conhecimento espiritual que cada passagem apresenta aplicando-a diretamente em seu coração e nessa trajetória o conselheiro bíblico dotado da real erudição teológica por ser aquele que conduz o processo.

Ainda sobre o auxílio da erudição no aconselhamento bíblico é importante ressaltar que a instrumentalidade das Escrituras aliada a uma vivência transformada a partir de seus ensinamentos são as principais ferramentas do conselheiro no ato de aconselhar. O conselheiro não é uma enciclopédia bíblica que para cada situação saberá endereçar para um texto bíblico-resposta, mas ele é corretamente visto como alguém que a partir do encontro com as Escrituras e sua compreensão libertadora iluminada pelo Espírito Santo agora vive os benefícios de sua nova vida e cumpre seu chamado ministerial levando outros a esse pleno conhecimento das Escrituras.

O conselheiro como erudito tem por finalidade usar das Escrituras em sua totalidade, autoridade e suficiência e dar a ela um lugar central na mente do seu conselheiro, através de sólidos e firmes argumentos para que ele chegue ao verdadeiro entendimento da verdade e encontre caminhos de recomeço, reajustes e mudanças que apontem para a glória de Deus.

Considerações Finais

O presente artigo dedicou-se a apresentar uma relação benéfica entre a erudição e a prática ministerial do aconselhamento bíblico. Ao compreender o que significa a erudição e como ela pode ser corretamente aplicada para cumprir o propósito bíblico de conduzir o homem para cumprir a vontade de Deus observa-se que há a urgente necessidade de conselheiros bíblicos dediquem-se ao fiel, sincero e profundo estudo das Escrituras e da Teologia como um todo para que possam desenvolver uma sólida argumentação capaz de desconstruir os sofismas e as mentiras que por vezes levam o aconselhado ao erro e ao aprisionamento em seus pecados.

O conselheiro na figura do erudito torna-se alguém habilmente capaz de conduzir o aconselhamento por uma estrada bem fundamentada nas Escrituras, permitindo que o texto fale diretamente ao coração do aconselhado como nítida e transparente Palavra de Deus sendo ele mesmo, primariamente já alvo desta descoberta e envolvimento profundo com as Escrituras. Ao utilizar-se de regras hermenêuticas, conhecimentos doutrinários sistemáticos, manuseio correto e uma fundamentada interpretação das Escrituras em submissão à sua autoridade e suficiência o conselheiro dá à erudição teológica o seu devido lugar: O de ser um compromisso do coração em empenhar-se a mergulhar tão profundo e tão seriamente na Palavra de Deus que seu resultado seja a transformação de vidas para a glória de Deus.

O conselheiro bíblico comprometido com a verdadeira erudição teológica – aquela que aponta e conduz para a glória de Deus – será aquele sábio que assim como nos dias áureos de Israel instruía o povo com a sabedoria da Palavra e promovia entre eles atitudes de adoração, exortação e louvor a Deus esforçando-se para apresentar  “todo homem perfeito em Cristo.”

[2] 2Co 3.6b

[3] PIPER. Johh; CARSON. D.A. O pastor como mestre e o mestre como pastor. Tradução de Francisco Wellington Ferreira. 2.ed. São José dos Campos, SP: Fiel, 2016.

[4] OSBORNE, Grant R. A espiral Hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica. Tradução de Daniel de Oliveira, Sueli Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova, 2009. pp 27-28.

[5] ZUCK, Roy. A interpretação bíblica: meios de descobrir a verdade da Bíblia. São Paulo: Vida Nova. 2012.

Madson Oliveira

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