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‚ÄúIde, portanto, e fazei disc√≠pulos de todas as na√ß√Ķes, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Esp√≠rito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei; e eis que estou convosco todos os dias, at√© o fim do mundo.‚ÄĚ Mt 28:19, 20.

Aprendemos do primeiro cap√≠tulo de Atos que Cristo se mostrou vivo depois de sua paix√£o, por muitas provas infal√≠veis, sendo visto pelos ap√≥stolos quarenta dias, e falando-lhes das coisas pertencentes ao reino de Deus. Temos quatro hist√≥rias, mais ou menos independentes, desses quarenta dias. As circunst√Ęncias mencionadas por um historiador s√£o omitidas por outro, de modo que todas devem ser comparadas para obter um relato completo das instru√ß√Ķes de despedida de Cristo aos seus disc√≠pulos. A passagem que acabamos de recitar, no entanto, cont√©m a subst√Ęncia de suas √ļltimas injun√ß√Ķes. Segundo o evangelista Mateus, nosso Senhor, na manh√£ de sua ressurrei√ß√£o, apareceu √†s mulheres que visitaram seu sepulcro e lhes disse: ‚ÄúSalve! N√£o temas: vai dizer a meus irm√£os que v√£o para a Galil√©ia, e l√° me ver√£o‚ÄĚ.

Então os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte onde Jesus os havia designado, e quando o viram, o adoraram. Foi naquela montanha, e aos discípulos adoradores, que Jesus dirigiu as palavras do texto.

Se interesse e autoridade especiais s√£o devidos a qualquer comunica√ß√£o de Cristo mais do que a outros, eles devem ser atribu√≠dos √†s palavras proferidas sob essas circunst√Ęncias peculiares. Ele havia terminado seu trabalho na terra; ele havia ressuscitado dos mortos; ele estava √†s v√©speras de sua partida final; ele estava agora constituindo sua Igreja; ele estava no ato de entregar sua carta. Ele ent√£o e ali deu a seus disc√≠pulos sua comiss√£o, prescreveu seus deveres e lhes deu a promessa de sua presen√ßa perp√©tua.

A quem √© dada a comiss√£o? Que dever prescreve? Como esse dever deve ser cumprido? Quais s√£o os poderes aqui transmitidos? E qual √© a import√Ęncia da promessa aqui dada? Essas s√£o quest√Ķes sobre as quais os volumes foram escritos e de cuja solu√ß√£o depende os interesses mais importantes.

Proponho chamar sua aten√ß√£o para apenas uma dessas quest√Ķes, a saber: Como deve ser cumprido o dever prescrito nesta comiss√£o? ou como o fim aqui colocado diante da Igreja deve ser cumprido? N√≥s respondemos, ensinando.

CAP√ćTULO I

A natureza do dever de ensino da Igreja

Isso aparece em primeiro lugar pela natureza do fim a ser alcan√ßado e pelas palavras expressas da comiss√£o. A ordem √© fazer disc√≠pulos de todas as na√ß√Ķes. Um disc√≠pulo, no entanto, √© tanto um seguidor quanto um aprendiz. Se as na√ß√Ķes devem se tornar disc√≠pulos de Cristo, elas devem conhecer suas doutrinas e obedecer a seus mandamentos. Isso deve ser feito pelo batismo e pelo ensino. A ordem √© fazer disc√≠pulos de todas as na√ß√Ķes, batizando e ensinando. Estes s√£o, portanto, os dois meios divinamente designados para atingir o fim contemplado.

O batismo, como ordenança cristã, é uma lavagem com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A sua ideia principal é a da consagração. A pessoa batizada toma Deus o Pai como seu pai, Jesus Cristo seu Filho como seu Senhor e Redentor, e o Espírito Santo como santificador. Isto é, ele aceita a aliança da graça e professa fidelidade ao seu Deus da aliança. Portanto, todo aquele que é batizado torna-se discípulo. Ele está inscrito entre os professos filhos de Deus e adoradores de Cristo.

O batismo, no entanto, no caso de adultos implica f√©. Na verdade, √© uma confiss√£o p√ļblica de f√©. E a f√© sup√Ķe o conhecimento. Nenhum homem pode tomar Deus como seu pai a menos que saiba quem Deus √©. Nem pode tomar Cristo como seu Redentor, a menos que saiba quem √© Cristo e o que ele fez. Nem ele pode tomar o Esp√≠rito Santo como seu santificador, a menos que esteja familiarizado com sua pessoa e of√≠cio. O conhecimento est√° na base de toda religi√£o e, portanto, Cristo fez o grande dever abrangente da sua Igreja de ensinar. Ela n√£o faz nada a menos que fa√ßa isso e cumpre todas as outras partes de sua miss√£o apenas na propor√ß√£o em que cumpre este seu primeiro e maior dever.

CAP√ćTULO II

A import√Ęncia do dever de ensino da Igreja

Em segundo lugar, a import√Ęncia primordial deste dever decorre do tipo de conhecimento necess√°rio para fazer dos homens os verdadeiros e dignos disc√≠pulos de Cristo. N√£o ser√° negado que a Igreja √© obrigada a ensinar o que Deus revelou em sua palavra. Se, ent√£o, quisermos entender a natureza do dever que Cristo imp√īs √† sua Igreja, devemos considerar aquele sistema de verdade que ele ordenou que ela comunicasse a todas as na√ß√Ķes. Compreende um conhecimento do ser e dos atributos de Deus e de sua rela√ß√£o com o mundo. Estes, por√©m, s√£o os temas mais profundos do pensamento humano; os assuntos mais dif√≠ceis de serem compreendidos corretamente e, no entanto, absolutamente essenciais a toda religi√£o verdadeira. Al√©m disso, o Deus, a quem devemos dar a conhecer, √© revelado como Pai, Filho e Esp√≠rito Santo. Ele deve ser recebido e adorado como tal por todo homem que se torna crist√£o. Isso n√£o pode ser feito sem conhecimento, e esse conhecimento s√≥ pode ser comunicado pelo ensino. Mesmo em um pa√≠s crist√£o, requer-se instru√ß√£o precoce e cont√≠nua para impregnar a mente com qualquer compreens√£o correta da natureza de Deus conforme ele √© revelado na B√≠blia. Entre as na√ß√Ķes pag√£s a tarefa deve ser cem vezes mais dif√≠cil. A mente pag√£ √© dominada por falsas concep√ß√Ķes do Ser divino: os termos pelos quais ele √© designado est√£o todos associados a ideias degradadas de sua natureza. O pr√≥prio meio de instru√ß√£o deve ser criado. Uma proposi√ß√£o que para nossas mentes, e em nosso sentido das palavras empregadas, expressa a verdade, deve necessariamente transmitir erro √†s mentes daqueles que atribuem um significado diferente √†s palavras que usamos. O que √© Deus para a mente de um pag√£o? O que √© lei? O que √© pecado? O que √© virtude? N√£o o que queremos dizer com esses termos, mas algo completamente diferente. Sem um milagre, o conhecimento correto pode ser comunicado a tais mentes apenas por um longo processo de explica√ß√Ķes ou corre√ß√Ķes. Os pag√£os t√™m muito a desaprender antes que possam aprender alguma coisa corretamente. Suas mentes devem ser esvaziadas das imagens sujas e deformadas com as quais est√£o cheias, antes que seja poss√≠vel que as formas de pureza e verdade possam entrar e habitar nelas.

As mesmas observa√ß√Ķes s√£o aplic√°veis ‚Äč‚Äčao que a B√≠blia ensina a respeito do homem; sua origem, sua apostasia, seu estado presente, seu destino futuro. Nenhum homem pode ser crist√£o sem um conhecimento competente desses assuntos. Eles s√£o, no entanto, assuntos em si de grande dificuldade; as possess√Ķes dos pag√£os se op√Ķem √†s representa√ß√Ķes escritur√≠sticas sobre esses t√≥picos; todas as suas opini√Ķes e convic√ß√Ķes anteriores devem ser renunciadas, antes que a verdade sobre a natureza e condi√ß√£o do homem possa ser comunicada √†s suas mentes.

Novamente, para serem cristãos, os homens devem compreender o plano de salvação; eles devem conhecer Jesus Cristo, a constituição de sua pessoa e a natureza de sua obra; eles devem saber como somos feitos participantes da redenção adquirida por Cristo, e a natureza e ofício do Espírito Santo.

Novamente, para serem crist√£os, os homens devem conhecer a lei de Deus, aquela regra perfeita de dever que revela as obriga√ß√Ķes que devemos a ele como criaturas, como pecadores e como sujeitos da reden√ß√£o. Mas os pag√£os, infelizmente, foram ensinados a chamar o mal de bem, e o bem de mal, a colocar doce por amargo e amargo por doce. Suas percep√ß√Ķes morais est√£o obscurecidas e suas sensibilidades morais endurecidas; de modo que a aquisi√ß√£o de conhecimento correto por parte deles da pura lei de Deus deve ser uma opera√ß√£o tediosa e gradual.

Tal √© um esbo√ßo escasso do conhecimento que a Igreja √© obrigada a comunicar, e sem o qual as na√ß√Ķes n√£o podem ser salvas. N√£o temos uma concep√ß√£o adequada da magnitude ou dificuldade da tarefa. Esquecemos que adquirimos lentamente esse conhecimento durante toda a nossa vida, que nossas m√£es nos deram nossas primeiras li√ß√Ķes dessa ci√™ncia divina antes que pud√©ssemos falar; que desde a nossa inf√Ęncia tem sido constantemente inculcada na fam√≠lia, no santu√°rio e na sala de aula; que esta luz celestial sempre brilhou ao nosso redor e sobre n√≥s da B√≠blia, das institui√ß√Ķes do pa√≠s e de in√ļmeras outras fontes. Os pag√£os podem aprender isso em um dia? Como a l√≠ngua inglesa nos √© familiar, pode ser ensinada a estrangeiros em uma hora? Se empreendermos o trabalho de fazer disc√≠pulos de todas as na√ß√Ķes, devemos entender o que temos que fazer. N√£o √© nenhuma obra de milagre ou magia. No que diz respeito a n√≥s, √© um empreendimento s√≥brio e racional. Comprometemo-nos a mudar as opini√Ķes e convic√ß√Ķes de todos os habitantes do mundo em todo o departamento da verdade religiosa e moral, o mais amplo dom√≠nio do conhecimento humano. Esta √© a obra que Cristo designou √† sua Igreja. E deve ser realizado pelo processo ordin√°rio de ensino; n√£o por inspira√ß√£o, nem por interfer√™ncia milagrosa de qualquer tipo. √Č, de fato, uma obra estupenda, e nenhum homem pode se dirigir a ela com um esp√≠rito adequado que n√£o a considere. Seria relativamente uma quest√£o pequena trazer todas as na√ß√Ķes para falar nossa l√≠ngua e adotar as institui√ß√Ķes civis e sociais de nosso pa√≠s. Por estupendo que seja o trabalho que nos foi designado, n√£o podemos vacilar diante dele. Isso deve ser feito, e n√≥s devemos faz√™-lo.

H√° um outro aspecto deste assunto que n√£o deve ser esquecido. O sistema de verdade de que falamos n√£o pode ser ensinado em proposi√ß√Ķes abstratas, como se fosse uma mera filosofia. Deve ser ensinado pela Igreja, assim como Deus o ensinou em sua palavra; na hist√≥ria, nos tipos, nas alegorias, nas profecias, nos salmos, nas afirma√ß√Ķes did√°ticas, nas exorta√ß√Ķes, advert√™ncias e preceitos. Nenhum homem pode entender as verdades da B√≠blia sem entender a pr√≥pria B√≠blia. Ele deve conhecer a hist√≥ria da cria√ß√£o, da queda e das rela√ß√Ķes de Deus com seu povo antigo. Ele deve estar familiarizado com as institui√ß√Ķes mosaicas e com a experi√™ncia dos santos conforme registrada nos Salmos. Ele deve conhecer a hist√≥ria de Cristo como predita pelos profetas e registrada pelos evangelistas. Ele deve ouvir as pr√≥prias palavras de Cristo e ler por si mesmo o que os ap√≥stolos entregaram. Se ensinamos o cristianismo, devemos ensinar a B√≠blia e toda a B√≠blia. Devemos transmitir a verdade aos outros nos pr√≥prios fatos e formas em que Deus a comunicou a n√≥s. Os dois s√£o absolutamente insepar√°veis; e ai daqueles que tentarem dividi-los, que tentarem dizer aos homens de sua pr√≥pria maneira e em suas pr√≥prias formas, o que eles pensam que a B√≠blia significa, pelo discurso popular ou de outra forma, em vez de ensinar a pr√≥pria B√≠blia. Vamos, ent√£o, irm√£os crist√£os, calmamente olhar de frente para o nosso trabalho. A tarefa precisa e definida que Cristo ordenou √† sua Igreja √© ensinar a B√≠blia, e toda a B√≠blia, a toda criatura debaixo do c√©u.

Nunca poderia ter entrado na mente de qualquer homem que esta obra poderia ser realizada de qualquer outra maneira que n√£o por um processo regular de educa√ß√£o, n√£o fosse por alguma vaga impress√£o de que a obra do Esp√≠rito Santo de alguma forma substitui a necessidade dos m√©todos comuns de instru√ß√£o. Esta √© uma ilus√£o fatal. A B√≠blia nos ensina que o Esp√≠rito opera com e pela verdade no cora√ß√£o dos homens. At√© onde sabemos, seja pelas Escrituras ou pela observa√ß√£o, Ele nunca opera na mente dos adultos de nenhuma outra maneira. O conhecimento da verdade √©, portanto, uma condi√ß√£o preliminar para a experi√™ncia dessa influ√™ncia divina. Esse conhecimento o Esp√≠rito n√£o comunica. Ele o revelou na palavra. √Č tarefa da Igreja torn√°-lo conhecido. O of√≠cio da Igreja e o do Esp√≠rito s√£o, portanto, perfeitamente distintos. Ambos s√£o necess√°rios. Nenhum substitui o outro. A Igreja ensina a verdade; o Esp√≠rito d√° esse efeito de verdade. Ele abre a mente para perceber a excel√™ncia das coisas de Deus, ele as aplica √† consci√™ncia, ele as escreve no cora√ß√£o; mas a verdade deve ser conhecida antes de ser efetivamente aplicada √† santifica√ß√£o e salva√ß√£o da alma. √Č, portanto, em perfeita consist√™ncia com a doutrina da influ√™ncia do Esp√≠rito que afirmamos a absoluta necessidade de conhecimento e, portanto, de instru√ß√£o.

CAP√ćTULO III

A Igreja designada para o dever de ensino

Um terceiro argumento em apoio à doutrina de que o grande dever da Igreja é ensinar é extraído do fato de que a Igreja desde o início do mundo foi, por designação divina, um instituto educacional. Este é e sempre foi seu caráter distintivo. Ela é de fato uma associação para a adoração de Deus e para a cura de almas, mas é peculiar e distintamente uma organização para manter e promover a verdade.

√Ä Igreja antiga foram confiados os or√°culos de Deus, n√£o apenas para serem preservados e transmitidos, mas para serem ensinados ao povo. Todo o servi√ßo ritual era um modo de ensino. O sacrif√≠cio matinal e noturno era uma li√ß√£o di√°ria sobre pecado e expia√ß√£o. Cada rito era a forma vis√≠vel de alguma verdade religiosa. Cada festival era uma comemora√ß√£o e uma profecia. O s√°bado era um an√ļncio perp√©tuo da cria√ß√£o do mundo e da exist√™ncia de um Deus pessoal. Havia, portanto, servi√ßos di√°rios, mensais e anuais, todos destinados √† instru√ß√£o do povo. O ano sab√°tico e o ano do jubileu eram per√≠odos prolongados para expor as grandes verdades da moral e da reden√ß√£o. Al√©m de tudo isso, havia uma ordem distinta de homens, um duod√©cimo de toda a popula√ß√£o, separada para esse fim. Os sacerdotes eram dedicados ao servi√ßo do templo, a augusta escola de Deus, e os levitas espalhados por toda a terra. Nesse sistema foram incorporadas as sinagogas, onde as Escrituras eram lidas e expostas ao povo. Deve-se tamb√©m ter em mente que toda a literatura dos hebreus era religiosa. Suas √ļnicas hist√≥rias eram o registro das rela√ß√Ķes de Deus com sua Igreja; sua poesia era devocional ou did√°tica; suas fic√ß√Ķes eram par√°bolas divinas; seus oradores, profetas inspirados. N√£o podemos conceber um conjunto de institui√ß√Ķes melhor adaptadas para imbuir uma na√ß√£o inteira com conhecimento religioso do que aquelas ordenadas por Deus sob a antiga dispensa√ß√£o.

Outro fato muito instrutivo √© este: quando Deus planejou estender o oferente da salva√ß√£o al√©m dos limites da Jud√©ia, ele submeteu as na√ß√Ķes vizinhas por tr√™s s√©culos a um curso de educa√ß√£o preliminar. Duzentos e oitenta anos antes de Cristo, as Escrituras, ou pelo menos o Pentateuco, foram traduzidas para o grego, a l√≠ngua do mundo civilizado. Os judeus estavam reunidos em todas as cidades do imp√©rio romano. Sinagogas foram estabelecidas em toda parte, nas quais o verdadeiro Deus era adorado e sua palavra exposta. Centenas e milhares de pros√©litos devotos foram reunidos dentre os pag√£os e instru√≠dos pela lei e pelos profetas, e ensinados a esperar a salva√ß√£o que viria de Si√£o. Um amplo fundamento foi ent√£o lan√ßado silenciosa e laboriosamente para a Igreja Crist√£ em todas as partes do mundo civilizado. Era miss√£o especial dos ap√≥stolos percorrer o imp√©rio romano e, selecionando os pontos onde o terreno havia sido previamente preparado, estabelecer igrejas como centros de luz para as regi√Ķes circunvizinhas. Eles sempre, quando entravam em uma cidade, iam primeiro √† sinagoga, e ali se esfor√ßaram para convencer os judeus e pros√©litos de que Jesus era o Cristo, e que n√£o havia outro nome dado debaixo do c√©u pelo qual os homens devessem ser salvos. √Äs vezes, toda a assembleia, com seus anci√£os, creu e se tornou uma igreja crist√£. Em outros, apenas uma parte abra√ßou o evangelho. Aqueles que os ap√≥stolos separaram e organizaram em uma nova igreja ou sinagoga crist√£.

Estamos propensos a esquecer tudo isso e pensar que o trabalho dos ap√≥stolos foi an√°logo ao de nossos mission√°rios modernos. No entanto, era essencialmente diferente. Os ap√≥stolos pregaram em grande medida aos adoradores de Deus; a homens cujos cora√ß√Ķes e consci√™ncias foram educados sob sua palavra e institui√ß√Ķes; a homens que tinham comparativamente pouco a desaprender, cujas vis√Ķes gerais da natureza da religi√£o eram corretas, e que esperavam sinceramente a salva√ß√£o que os ap√≥stolos pregavam e com quem podiam se comunicar em uma linguagem competente. N√£o precisamos comentar sobre o diferente car√°ter e condi√ß√£o das pessoas entre as quais os modernos mensageiros do evangelho s√£o chamados a trabalhar; homens cujas mentes s√£o sombrias, degradadas e inacess√≠veis, n√£o tendo ideias em comum conosco e sem termos de import√Ęncia religiosa correta. Nossos mission√°rios t√™m que fazer o longo trabalho preparat√≥rio, que os ap√≥stolos acharam feito em suas m√£os. Devemos, portanto, cometer um erro fatal se inferirmos do car√°ter itinerante do trabalho dos ap√≥stolos que nossos mission√°rios devem passar da mesma maneira de cidade em cidade, permanecendo apenas alguns meses em qualquer lugar. Seria muito irracional esperar que esse modo de opera√ß√£o agora fosse atendido com um sucesso an√°logo ao que se seguiu aos trabalhos semelhantes dos ap√≥stolos, sob circunst√Ęncias essencialmente diferentes. O grande fato, por√©m, √© ineg√°vel e muito instrutivo, que Deus preparou o caminho para os ap√≥stolos, submetendo a popula√ß√£o das principais cidades do imp√©rio romano, por quase tr√™s s√©culos, a um processo preliminar de cultura religiosa.

Assim como Deus fez da Igreja sob a antiga dispensa√ß√£o um instituto educacional, como ele preparou o caminho para a dissemina√ß√£o do evangelho fazendo previamente com que o juda√≠smo fosse amplamente difundido, assim tamb√©m na organiza√ß√£o da Igreja Crist√£, ele deu-lhe um car√°ter educacional diferenciado. Cristo designou um grupo de homens como professores; ele fez provis√£o para que eles continuassem; ele prometeu estar com eles em todas as √©pocas, e dar-lhes por seu Esp√≠rito as qualifica√ß√Ķes para seu trabalho. Quando os ap√≥stolos sa√≠ram, foi no car√°ter de mestres. Eles em todos os lugares estabeleceram igrejas, que eram escolas presididas por professores. A aptid√£o para ensinar era um requisito essencial para o of√≠cio de um presb√≠tero. doutrina ou instru√ß√£o, para que seu proveito possa aparecer a todos. Em apoio √† doutrina que o grande neg√≥cio da Igreja √© ensinar, que este √© o meio divinamente designado pelo qual ela deve fazer disc√≠pulos, apelamos, portanto, , n√£o para esta ou aquela passagem particular da Escritura, mas para todo o projeto ou organiza√ß√£o da Igreja conforme estabelecido na palavra de Deus.

CAP√ćTULO IV

O desempenho da Igreja no dever de ensino

O que Deus assim claramente ensinou em sua palavra, ele não ensinou menos. Se a história da Igreja ensina alguma lição mais distintamente do que qualquer outra, é que, na proporção em que ela foi fiel como professora, ela foi bem-sucedida na promoção do reino do Redentor; e na proporção ela tem falhado no ensino, ela falhou em tudo que é puro e bom.

Como prova deste ponto, apelamos em primeira inst√Ęncia ao contraste entre as por√ß√Ķes romana e protestante da cristandade. A diferen√ßa caracter√≠stica entre as igrejas papista e protestante √© que a primeira √© um ritual e a segunda uma igreja de ensino. Na primeira o ministro √© sacerdote, na segunda √© instrutor. As fun√ß√Ķes do sacerd√≥cio romano s√£o a oferta de sacrif√≠cios, a administra√ß√£o de ritos e a absolvi√ß√£o dos penitentes. O culto p√ļblico na Igreja Romana √© conduzido em uma l√≠ngua que o povo n√£o entende e consiste principalmente em cerim√īnias que eles n√£o compreendem. As Escrituras s√£o um livro selado entre elas, e a necessidade de conhecimento para f√© ou santidade √© expressamente negada. A consequ√™ncia √© que sob uma uniformidade morta de apar√™ncia exterior h√° na Igreja de Roma uma massa de ignor√Ęncia, heresia, irreligi√£o, supersti√ß√£o, imoralidade, como provavelmente nunca existiu dentro dos limites de qualquer comunh√£o crist√£ na terra.

Por outro lado, entre os protestantes o ministro é um professor. Ele lidera de fato na adoração do santuário e administra os sacramentos, mas seu grande negócio oficial é ministrar na palavra e na doutrina. Os sacramentos em suas mãos não são ritos mágicos, mas métodos de instrução, bem como selos da aliança. São nos países protestantes, portanto, que encontramos o conhecimento e a religião em um estado muito mais elevado do que em qualquer outra parte do mundo.

Novamente, se compararmos diferentes pa√≠ses protestantes, veremos que a religi√£o floresce uniformemente e em todos os lugares exatamente na propor√ß√£o em que a Igreja cumpre seu dever como professora. Na Inglaterra, apesar da abundante provis√£o de apoio ao clero, ainda da enorme extens√£o de muitas das par√≥quias e da predomin√Ęncia do elemento lit√ļrgico na constitui√ß√£o da Igreja, grande parte da popula√ß√£o foi deixada sem instru√ß√£o e, n√£o fosse pelos esfor√ßos de outras denomina√ß√Ķes, estaria em um estado pouco melhor que o paganismo. Na Esc√≥cia, por outro lado, a religi√£o √© geralmente mais difundida e tem uma influ√™ncia mais forte sobre a massa do povo do que em qualquer outro pa√≠s do mundo. A raz√£o √© que a Igreja da Esc√≥cia tem sido, desde o in√≠cio, predominantemente uma Igreja de ensino. Apesar dos entraves de um estabelecimento e patronato sob o qual atuou, ela compreendeu sua voca√ß√£o; ela reconheceu seu dever de ensinar ao povo, e a todo o povo, o cristianismo como um sistema de doutrinas e deveres, e, portanto, conseguiu fazer da Esc√≥cia o pa√≠s mais religioso do mundo.

Não importa, no entanto, para onde olhamos, sempre que encontramos uma Igreja de ensino, encontramos a religião próspera; e onde quer que encontremos um ritual, uma Igreja indolente, ou uma Igreja retumbante ou meramente declamadora, ali encontramos a religião degenerada em superstição ou fanatismo.

Como apelo final sobre este assunto nos referimos √† hist√≥ria das miss√Ķes. Existem apenas tr√™s m√©todos pelos quais o cristianismo j√° foi estabelecido entre as na√ß√Ķes pag√£s. A primeira √© a adotada pelos ap√≥stolos, que estabeleceram igrejas em v√°rios lugares importantes onde o terreno estava h√° muito tempo sob um processo de cultura preparat√≥ria, cujas igrejas tornaram-se centros de irradia√ß√£o para o povo circunvizinho. Em tais centros, o evangelho foi estendido em c√≠rculos cada vez maiores, at√© que suas circunfer√™ncias se encontrassem e cercassem o mundo Romano.

O segundo m√©todo √© que em Roma, por for√ßa ou fraude, um povo foi levado a se submeter aos ritos crist√£os e a uma conformidade externa com as formas de culto crist√£o. Assim, os francos se converteram sob Cl√≥vis e os sax√Ķes sob Carlos Magno; e assim o cristianismo foi introduzido no M√©xico e no Peru, e pelos jesu√≠tas no Paraguai, na China e nas √ćndias. A caracter√≠stica deste m√©todo √© que √© convers√£o sem instru√ß√£o. N√£o implica nenhuma mudan√ßa de opini√£o, nenhuma mudan√ßa de cora√ß√£o, nenhuma mudan√ßa de vida. √Č simplesmente uma mudan√ßa de nome e cerim√īnias externas. Em alguns casos esta convers√£o nominal √© seguida mais cedo ou mais tarde por instru√ß√£o, e uma recep√ß√£o real do evangelho √© o resultado final. Os sax√Ķes, que por muito tempo permaneceram pag√£os batizados, n√£o t√™m o vigor das igrejas luterana e reformada. Em outros casos, a instru√ß√£o n√£o segue, e ent√£o a consequ√™ncia √© que as pessoas permanecem crist√£s apenas no nome, ou, quando a press√£o externa √© removida, elas recaem no paganismo. Os √≠ndios do M√©xico e do Peru n√£o s√£o mais crist√£os agora do que eram nos dias de Cortez e Pizarro, e as miss√Ķes outrora florescentes dos jesu√≠tas, com seus milhares e at√© milh√Ķes de convertidos, pereceram sem deixar vest√≠gios.

O terceiro m√©todo de propaga√ß√£o do evangelho √© um processo de educa√ß√£o; isto √©, realmente ensinando as pessoas, para que elas conhe√ßam a Deus e Jesus Cristo seu Filho, e o caminho da salva√ß√£o por meio dele. A menos que Deus fa√ßa milagres, a menos que ele subverta todos os m√©todos revelados ou conhecidos de sua opera√ß√£o, este √© o √ļnico meio pelo qual as na√ß√Ķes podem ser convertidas. Este √© o m√©todo que todas as igrejas protestantes foram for√ßadas a adotar, e √© o √ļnico que j√° foi bem sucedido. Nenhum exemplo pode ser produzido do estabelecimento do evangelho em uma terra pag√£ por qualquer outro meio. Este foi o caminho seguido pelos fi√©is Mor√°vios na Groenl√Ęndia, nas √ćndias Ocidentais e neste pa√≠s. Eles estabeleceram uniformemente miss√Ķes permanentes e ensinaram laboriosamente o povo. Este foi o m√©todo adotado por Elliot e Brainerd. A esse modo de proceder, depois de muitas experi√™ncias e fracassos, os mission√°rios foram obrigados a recorrer no Taiti, nas Ilhas Sandwich, na √ćndia e na √Āfrica do Sul.

√Č um trabalho muito humilde e abnegado ensinar assim os primeiros princ√≠pios dos or√°culos de Deus; √© um processo muito lento; n√£o h√° brilho sobre isso; √© muito penoso para a f√© dos mission√°rios e para a paci√™ncia das igrejas. Mas √© a nomea√ß√£o de Deus. √Č tanto uma lei de sua graciosa dispensa√ß√£o que as mentes dos homens devem ser imbu√≠das do conhecimento divino antes que o Esp√≠rito os vivifique para a vida, quanto √© uma lei de sua provid√™ncia que a semente seja primeiro depositada adequadamente na terra antes, por sua chuva e sol, ele evoca a bela e abundante colheita. Nenhum homem espera cultivar uma safra de trigo lan√ßando sementes espalhadas em p√Ęntanos, florestas e selvas; e t√£o pouco temos n√≥s para esperar uma colheita de almas ou o estabelecimento seguro e permanente do evangelho em terras pag√£s por qualquer m√©todo curto e f√°cil de disseminar a verdade. Deus n√£o se desviar√° de suas s√°bias ordena√ß√Ķes para gratificar nossa facilidade ou amor de excita√ß√£o. Se quisermos trazer nossos feixes para seu celeiro, devemos sair com l√°grimas e trabalho paciente, levando a preciosa semente da verdade.

Este √© o verdadeiro m√©todo apost√≥lico. Os ap√≥stolos converteram o mundo ensinando. Eles estabeleceram igrejas em Jerusal√©m, Antioquia, √Čfeso e Roma, assim como agora estamos trabalhando para estabelecer igrejas em Lodiana, Furrukhabad, Agra e Allahabad. A √ļnica diferen√ßa √© que os ap√≥stolos encontraram o terreno limpo, quebrado e preparado para a recep√ß√£o da semente, enquanto nossos pobres mission√°rios, com apenas uma pequena por√ß√£o de sua for√ßa ou gra√ßa, t√™m que ir para as selvas e florestas, e limpar o ch√£o para semear a semente. O mesmo Deus, no entanto, que operou eficazmente nos ap√≥stolos, √© poderoso nos mensageiros mais fracos que ele enviou para fazer esse trabalho mais dif√≠cil. Em ambos os casos a excel√™ncia do poder √© de Deus, e n√£o do homem. Mas n√£o acrescentemos a todas as outras prova√ß√Ķes e des√Ęnimos de nossos mission√°rios o pesado fardo de nossa impaci√™ncia. N√£o esque√ßamos que o trabalho a ser feito √©, necessariamente, em seus primeiros est√°gios, um trabalho muito lento e que a colheita n√£o segue imediatamente ap√≥s a semeadura.

Esse ensinamento, ent√£o, √© a grande voca√ß√£o da Igreja, que por nenhum outro meio ela pode fazer disc√≠pulos de todas as na√ß√Ķes, isso √© evidente:

1. A partir do comando expresso de Cristo, na comissão dada aos seus discípulos.

2. A partir da natureza desse sistema de doutrinas, cujo conhecimento e crença cordial são essenciais para a salvação.

3. A partir da natureza, projeto e constituição da Igreja, conforme revelado nas Escrituras; e,

4. A partir de toda a hist√≥ria da Igreja, e especialmente de toda a hist√≥ria das miss√Ķes.

Pode, no entanto, ser perguntado: O que se entende por ensinar? Qual √© esse processo educacional t√£o necess√°rio para a propaga√ß√£o do evangelho? N√≥s respondemos, √© esse processo pelo qual os homens s√£o realmente levados a conhecer o que a B√≠blia revela. O fim a ser alcan√ßado √© a comunica√ß√£o real desse conhecimento divino. Existem, √© claro, diferentes m√©todos de instru√ß√£o, alguns mais adaptados a uma classe de alunos e outros a outra; nenhum dos quais deve ser negligenciado. Os principais instrumentos que Deus colocou em nossas m√£os para esse prop√≥sito s√£o o p√ļlpito, a sala de aula e a imprensa. Todos estes s√£o empregados em pa√≠ses crist√£os, e todos devem ser usados ‚Äč‚Äčentre os pag√£os. O perigo √© que uma import√Ęncia desproporcional seja dada a um desses m√©todos de instru√ß√£o em detrimento dos outros. A grande tenta√ß√£o √© supervalorizar a primeira. Isso vem de v√°rias fontes.

1. Em primeiro lugar, costuma-se atribuir √† palavra prega√ß√£o, conforme usada na B√≠blia, o sentido que agora tem na vida comum. Queremos dizer que a prega√ß√£o √© a enuncia√ß√£o p√ļblica e autorizada do evangelho, ao passo que, na B√≠blia, √© o que compreende todos os m√©todos de comunica√ß√£o da verdade divina. Quando Paulo diz: ‚ÄúAgradou a Deus, pela loucura da prega√ß√£o, salvar os que cr√™em‚ÄĚ, ele n√£o quer dizer que a proclama√ß√£o oral e p√ļblica do evangelho √© o √ļnico m√©todo de salvar os pecadores; mas que Deus havia determinado salvar os homens pelo evangelho, e n√£o pela sabedoria deste mundo. A sabedoria humana √© inteiramente inadequada para esse fim, pois o mundo pela sabedoria n√£o conheceu a Deus e, portanto, Deus decidiu salv√°-los pelo evangelho, que Paulo chama de sabedoria verdadeira ou oculta. Qualquer m√©todo pelo qual essa sabedoria √© comunicada est√° dentro da b√ļssola daquela tolice de prega√ß√£o da qual Paulo fala. O pai, o professor, o autor, s√£o todos pregadores no sentido b√≠blico da palavra, na medida em que est√£o empenhados em divulgar a palavra da vida. O poder est√° na verdade, n√£o no canal ou m√©todo de comunica√ß√£o. √Č essa transfer√™ncia para a B√≠blia do significado restrito moderno da prega√ß√£o da palavra que tem levado muitos homens bons a subestimar outros m√©todos de instru√ß√£o. Eles sup√Ķem que tudo o que as Escrituras dizem sobre a prega√ß√£o deve ser entendido como a enuncia√ß√£o oral do evangelho, enquanto se relaciona com a inculca√ß√£o da verdade divina, de todas e quaisquer maneiras pelas quais ela possa ser transmitida √† mente humana.

2. Mas, em segundo lugar, n√£o damos a devida considera√ß√£o √† diferen√ßa entre o estado dos pag√£os e o de nosso pr√≥prio povo. Porque a maioria das pessoas em uma terra crist√£ est√° preparada, em bom grado, para entender um discurso p√ļblico, estamos aptos a tomar como certo que este m√©todo de instru√ß√£o √© igualmente adaptado aos pag√£os. Um momento de reflex√£o, no entanto, √© suficiente para corrigir esse erro. Um certo grau de conhecimento pr√©vio √© necess√°rio para nos permitir lucrar com os discursos p√ļblicos; e, portanto, descobrimos, em todo o mundo, que o efeito da prega√ß√£o p√ļblica √© apenas proporcional ao treinamento religioso anterior dos ouvintes.

3. Em terceiro lugar, como sabemos pelas Escrituras e pela experi√™ncia que muitas frases simples da palavra de Deus cont√™m verdade suficiente para salvar a alma, e como o Esp√≠rito de Deus √†s vezes faz com que uma dessas frases se prenda √† consci√™ncia, e desse √ļnico embri√£o, por seu ensino interior, evolui o suficiente do sistema de verdade para capacitar o pecador a receber a Cristo, para a salva√ß√£o da alma, √© muito natural que estejamos ansiosos para espalhar a verdade o mais r√°pido poss√≠vel e o mais amplamente poss√≠vel. E esta √© uma boa e suficiente raz√£o pela qual, mesmo em pa√≠ses pag√£os, a proclama√ß√£o p√ļblica do evangelho nunca deve ser negligenciada, mas, pelo contr√°rio, deve ser empregada t√£o assiduamente quanto poss√≠vel. N√£o sabemos se Deus pode dar alguma verdade salvando poder no cora√ß√£o de algum pobre pecador. Da semente lan√ßada √† beira do caminho, entre as rochas ou espinhos, √© poss√≠vel que algum gr√£o, aqui e ali, crie ra√≠zes e d√™ frutos. Mas nenhuma colheita √© feita dessa maneira. Nenhuma na√ß√£o pag√£ jamais foi convertida pela proclama√ß√£o itinerante do evangelho.

Para cultivar grãos suficientes para alimentar nossas famílias ou sustentar uma nação, devemos arar e gradear, assim como semear; e para salvar almas o suficiente para fundar uma igreja ou converter uma nação, devemos lenta e laboriosamente doutrinar o povo no conhecimento da Bíblia.

O erro a que nos referimos √© aquele em que os pr√≥prios mission√°rios caem quase uniformemente, no in√≠cio; e os novos na obra tendem a pensar que seus irm√£os mais experientes confiam muito pouco na prega√ß√£o e muito no m√©todo mais lento de instru√ß√£o. Um mission√°rio do Ceil√£o me contou que logo ap√≥s sua chegada naquele campo, ele se aventurou a sugerir suas d√ļvidas sobre este assunto ao mais velho e certamente um dos mais capazes e devotos de seus irm√£os. Aquele irm√£o mais velho estava ent√£o doente, deitado em sua cama, em frente a uma janela aberta. Ele disse ao seu irm√£o duvidoso: Daquela janela voc√™ pode olhar para v√°rias aldeias, cercadas de √°rvores: enquanto estou deitado aqui, posso mentalmente ir de casa em casa por todas essas aldeias e dizer-lhe os nomes e car√°ter de cada fam√≠lia. No decorrer dos anos, visitei-os com tanta frequ√™ncia, conversei com eles e preguei com tanta frequ√™ncia que os conhe√ßo a todos e os conhe√ßo intimamente; contudo, nunca vi nenhum fruto de todo aquele trabalho. Suas mentes estavam t√£o obscurecidas, seus sentimentos morais t√£o degradados, que a verdade n√£o podia ter acesso e n√£o causava nenhuma impress√£o. Fomos literalmente for√ßados a adotar o m√©todo de ensino regular; e voc√™ v√™ o resultado. Uma na√ß√£o crist√£ est√° se levantando ao nosso redor. Outro mission√°rio do mesmo campo, que estava h√° vinte e cinco anos no terreno, expressou sua firme convic√ß√£o de que se Deus continuasse a aben√ßoar seus trabalhos pelos pr√≥ximos cinco e vinte anos como ele havia feito at√© ent√£o, todo o povo Tamul poderia ser t√£o completamente cristianizado quanto qualquer na√ß√£o na Europa.

Que fique, no entanto, claramente entendido que não defendemos nenhum método exclusivo de instrução. A tarefa da Igreja é ensinar e ensinar de todas as maneiras pelas quais a verdade de Deus pode ser transmitida ao entendimento; mas esse trabalho deve ser realizado.

Temos nos esfor√ßado para mostrar que ensinar √© o grande dever da Igreja, e como ela deve ensinar; a √ļnica outra pergunta √©. O que ela deve ensinar? Ela deve ensinar o conhecimento secular? A resposta adequada a esta pergunta, sem d√ļvida, √© que a Igreja √© obrigada a ensinar a B√≠blia, e outras coisas, apenas na medida em que s√£o necess√°rias ou importantes para o correto entendimento da B√≠blia. Essa exce√ß√£o, no entanto, abrange todo o campo do conhecimento humano. A B√≠blia √© um livro maravilhoso. Ela traz tudo dentro de sua varredura. Suas verdades irradiam em todas as dire√ß√Ķes e se tornam implicadas com todas as outras verdades, de modo que nenhuma forma de conhecimento e nada que sirva para ilustrar a natureza de Deus, a constitui√ß√£o do universo ou os poderes da alma humana deixa de prestar homenagem e prestar servi√ßo ao livro de Deus. N√£o podemos ensinar doutrinas da cria√ß√£o e provid√™ncia sem ensinar a verdadeira teoria do universo, e o pr√≥prio of√≠cio das leis da natureza; n√£o podemos ensinar as leis de Deus sem ensinar filosofia moral; n√£o podemos ensinar as doutrinas do pecado e da regenera√ß√£o sem ensinar a natureza e as faculdades da alma. O cristianismo, como a forma mais elevada de conhecimento, compreende todas as formas de verdade.

Al√©m disso, toda falsa religi√£o tem subjacente e sustenta uma falsa teoria sobre Deus, sobre o mundo e sobre a alma humana. Se voc√™ destruir essas teorias falsas, voc√™ destr√≥i a religi√£o. A religi√£o hindu n√£o pode subsistir sem a astronomia e a cosmogonia hindus. A ci√™ncia mina os pilares do paganismo e assusta seus devotos de suas paredes cambaleantes. A popula√ß√£o nativa de Calcut√° est√° come√ßando a tremer sob a opera√ß√£o silenciosa da escola do Dr. Duff naquela grande cidade. Eles sentem o ch√£o tremer sob seus p√©s, e est√£o bem cientes de que se a verdade de qualquer forma for ensinada, todo o sistema de erro logo se desintegrar√° em p√≥. Por outro lado, a verdadeira religi√£o sup√Ķe necessariamente uma teoria verdadeira sobre Deus, o universo e a alma; de modo que voc√™ n√£o pode ensinar a B√≠blia sem ensinar o que √© comumente chamado de ci√™ncia humana. Todo conhecimento vem de Deus, e leva a Deus. Devemos lembrar que a ignor√Ęncia √© um erro, e n√£o apenas a aus√™ncia de conhecimento. A mente nunca est√° vazia. Se n√£o tem vis√Ķes corretas, tem vis√Ķes erradas. Se n√£o tem apreens√Ķes corretas a respeito de Deus, do universo e de si mesmo, tem outras erradas. E todo erro √© hostil √† verdade. √Č correto, portanto, arrancar essas ervas daninhas, para que as sementes da verdade divina possam criar ra√≠zes e crescer melhor.

Embora, portanto, a Igreja esteja ciente de que sua vocação é ensinar a Bíblia, ela não pode esquecer que a Bíblia é amiga de toda verdade é inimiga de todo erro. A Igreja é a luz do mundo. Ela tem o direito de subsidiar todos os departamentos de conhecimento, esses principados e potestades, e forçá-los a prestar homenagem àquele a quem tudo que tem poder deve ser subserviente. Ela sempre agiu sob a consciência de que o conhecimento é seu aliado natural. Ela é a mãe de todas as universidades da Europa. Harvard, Yale, Nassau Hall e uma progenitora numerosa, além disso, são todos seus filhos. Ela sabe que está cumprindo com mais eficácia sua vocação e honrando seu Divino Mestre, quando mais eficazmente leva os homens a conhecê-lo, de quem todo o conhecimento flui e a quem toda a verdade conduz.

CONCLUSÃO

√Č, irm√£os crist√£os, um incidente de infelicidade para a exibi√ß√£o proeminente de qualquer verdade, que outras verdades n√£o menos importantes sejam, no momento, lan√ßadas na sombra. Por termos insistido na import√Ęncia de comunicar o conhecimento da verdade, pode parecer que esquecemos que a verdade √© impotente sem a demonstra√ß√£o do Esp√≠rito. Devemos sempre ondular entre esses dois pontos cardeais? Porque s√≥ o Esp√≠rito pode dar o efeito de verdade, n√£o devemos fazer nada? Ou porque o Esp√≠rito opera apenas com e pela verdade, devemos simplesmente ensinar e esquecer nossa depend√™ncia de Deus? N√£o podemos unir essas duas grandes doutrinas em nossa f√© e pr√°tica? N√£o podemos acreditar que √© o of√≠cio da Igreja ensinar, e a prerrogativa do Esp√≠rito √© para dar esse efeito de ensino? N√£o podemos ser ao mesmo tempo diligentes e dependentes, fazendo todas as coisas ordenadas, e ainda confiando exclusivamente no poder de Deus para o sucesso? Em sua comiss√£o √† sua Igreja, Cristo diz: ‚ÄúV√° ensinar, e eis que estou sempre com voc√™, para dar efeito ao seu ensino‚ÄĚ. Aqui, ent√£o, est√° ao mesmo tempo nosso dever e nossa esperan√ßa.

©1882 by Charles Hodge.
Título do Original: TEACHING OFFICE OF THE CHURCH
Traduzido e impresso sob permiss√£o legal de obras em dom√≠nio p√ļblico.
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Primeira Edição em Português Рoutubro de 2022
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[Proibida a reprodu√ß√£o deste livro por quaisquer meios, sem a permiss√£o escrita dos editores, salvo em breves cita√ß√Ķes, com indica√ß√£o da fonte.]
Tradução, edição e revisão: Fabricio Rodrigues dos Santos

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