Resumo

O presente artigo tem como proposta apresentar a relação entre o êxito da visão dos glorificados que foram contemplados por João na visão de Ap. 7.9 e o investimento missionário da igreja como testemunha da mensagem do Evangelho por toda a terra. Durante o texto será esboçada uma conexão entre a proposta de avanço do Éden como lugar de adoração e reflexo da Imago Dei e a ferramenta da pregação e do testemunho cristão como forma de concretização do propósito divino de ser glorificado pelos seus eleitos em santidade e pureza no céu. O artigo finalizará com uma aplicação prática desta conexão e como a observação deste assunto por toda a igreja local amplia o horizonte missionário e a prática da pregação da Palavra.

Introdução

A visão da multidão inumerável dos glorificados em Apocalipse 7.9 causa no leitor uma mistura de sentimentos que transitam entre a admiração extasiada e a certeza de um final feliz para todos aqueles que ao longos das eras creram na promessa da aliança da salvação pela fé em Cristo.

Desde o capítulo 4 João contempla, a partir de uma porta que o conduz à esfera espiritual da realidade (Ap 4.1) o indescritível céu e a glória do Trono. Não bastasse a grandeza desta visão é lhe dado o privilégio de ver a coroação do Cordeiro  “como tendo sido morto” e a consequente adoração que começa dos arredores do Trono (Ap 5.8) e se expande por toda a criação (Ap 5.13).

Quando o Cordeiro “achado digno” (Ap 5.9) finalmente abre os selos e, por sua autoridade e poder, permite que os eventos finais que antecedem seu retorno aconteçam, João assiste um a um, os decretos divinos serem cumpridos até que finalmente o sexto selo seja rompido e o tão terrível Dia do Juízo de Deus (Is 13.9) seja executado sobre os ímpios desobedientes à sua Lei (Ap 6.12-17).

“Depois disto” (Ap 7.1) – expressão que é traduzida por alguns comentaristas não pela sua ordem cronológica, mas pela própria percepção de João – remete ao outro ângulo desta visão. Desta feita João vê o que acontece com os salvos, com aqueles que serão poupados do grande Dia da ira de Deus (Ap 6.17). É então que ele vê a “grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos.” (Ap 7.9)

Certamente esta visão, que continua pelo restante do capítulo, traz respostas conclusivas para as inquietações do coração incrédulo e por vezes titubeantes de muitos crentes em relação à eternidade com Cristo.

No ambiente de Missões esta visão dos glorificados ressalta a importância e também o êxito final do labor da igreja em continuar obediente ao comando de Cristo de fazer “discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Para a igreja missionária, ler sobre a gloriosa visão apocalíptica de João é a confirmação de que no final de tudo, a missão fora cumprida e a mensagem da salvação chegou aos ouvidos de todos aqueles por quem Cristo morreu (Rm 10.17).

Não obstante, apesar da grandeza desta visão e de todo o consolo e conforto que ela traz para a igreja, faz-se necessário entender como ela acontece e como esses santos chegaram até ali. Assim fazendo, será percebida a íntima relação entre a pregação do Evangelho, o testemunho da igreja, a manifestação da Imago Dei nos salvos e o futuro glorioso dos crentes.

O Éden e a expansão da Imago Dei

No relato da criação percebe-se claramente uma estrutura conscientemente planejada pelo criador para que, no habitat construído por Ele, o homem tivesse tudo o necessário para desenvolver seu papel de representante “imagem e semelhança” divino. Primeiramente Deus, do aspecto bruto criação a partir do nada, separa trevas de luz (Gn 1.4). Após isso Ele faz separação entre firmamento e as “águas e águas”, criando aqui a diferenciação entre água salgada e água doce boa para consumo humano (Gn 1.6). A estruturação continua quando Deus diferencia e delimita a porção seca e as águas debaixo do céu para que a vida pudesse existir fora do ambiente aquático. (Gn 1.9).

No ambiente seco, onde posteriormente o homem iria habitar, o criador faz mais uma preparação. Ele cria vida vegetal frutífera e replicante em abundância. (Gn 1.11). Agora, os luminares nos céus foram criados para coordenarem tempos e épocas, estações do ano e ciclos de plantio e colheita (Gn 1.14-16).

Outro investimento fora a criação da diversidade da fauna tanto na terra quanto nas águas para compor o cenário construído até aqui. De monstros marinhos e selvagens a animais domésticos úteis para o serviço e consumo, segundo suas espécies, o criador ofereceu ao mundo criado uma pluralidade de formas de vida deixando assim ainda mais belo tudo o que Ele estava arquitetando.

Quando tais coisas foram finalmente criadas é que o texto chega à sua maior diferenciação. Deus passa do uso do verbo “haja” – nos versículos 3,6,9,11,14 e 20 – para o verbo “façamos”.

“Deus separa o homem do ser bruto, da vida vegetal e da vida consciente de peixes, pássaros e animais […] O homem aparece em contraste marcante com tudo o que foi criado antes: o homem foi feito à imagem de Deus”, afirmou Francis Schaeffer.(p.34)

Ao ser criado o homem recebe do Criador sua primeira grande missão e sua maior tarefa enquanto ser vivente. Ao ser criado como imagem de Deus tal homem deveria ser fecundo e multiplicar sua imagem e semelhança através da concepção de uma vasta descendência que mantivesse um relacionamento direto e obediente ao Senhor.

Os primeiros pais foram criados com a missão de expandir a Imago Dei até os confins da terra recém criada para que em cada lugar habitado pelo homem a santidade e presença do Senhor pudesse habitar e partilhar de sua vida comum. É por isso que o mandato de Deus vem na forma de um imperativo: enchei a terra e sujeitai-a. (Gn 1.28). O homem deveria procriar e ter filhos para que todo o habitat criado por Deus fosse desfrutado pelo homem perfeito e santo em toda a terra. Uma incontável multidão de santos deveria ser espalhada por toda a terra representado a Imago Dei por todo o mundo criado e possibilitando assim, a visitação de Deus para todos os seus filhos ininterruptamente.

Em suma, Deus cria o mundo e o faz em perfeita condição para vida humana. Neste habitat, Deus cria um jardim para servir de local de encontro e serviço sacerdotal do representante divino (Gn 2.8) e para que este relacionamento floresca e se torne perpétuo o Criador coloca o homem em um jardim e lá cultiva-lo (expandir seu domínio cada vez mais) e guarda-lo (zelar por sua santidade e pureza) com ele todos os dias.

Entretanto, conhecemos a história bíblica e dentre as tantas consequências desastrosas que o pecado original trouxe à criação, mácula na Imago Dei em nossos representantes federais e sua descendência, punições para a mulher, para o planeta, satanás e o próprio homem, a expulsão do jardim significou a ruptura desta comunhão em santidade criada. A Imago Dei agora necessitaria de um redentor para que o propósito edênico fosse alcançado. Apenas pela ação graciosa do Criador ofendido o homem poderia novamente estar perto do seu Criador sem as barreiras do pecado glorificando e desfrutando de sua presença para todo o sempre.

O Ide de Jesus e o retorno à missão do Éden – Testemunho e pregação da Boa-Nova

A narrativa do AT pós expulsão do Edén é uma narrativa sobre Deus eleger, salvar e separar para si um povo que serviria ao propósito de mesmo em um mundo caído viver os parâmetros de santidade e adoração anteriores à queda. A começar por Abraão temos uma afirmação do plano divino de espalhar sua imagem e semelhança restaurada por toda a terra. “de ti farei uma grande nação, e te abençoarei e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! […] em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gn 12.2-3).

A missão de Abraão envolve primeiramente o “ser uma bênção” e enquanto é, ele abençoa e expande a Imago Dei restaurada por todas as famílias da terra.

É nítido nos escritos do Antigo Testamento que Israel oscilou nessa tarefa de espalhar a glória e o governo de Deus por toda a terra. Ao se contaminar com os deuses e com as culturas pagãs ao seu redor, o povo eleito deixa de servir como povo sacerdotal e passa a se comportar como os ímpios comprovando assim a necessidade urgente de uma intervenção do mediador para reestabelecer e inaugurar uma nova aliança para espalhar a Imago Dei por toda a terra.

Quando observamos então o ministério de Cristo e suas instruções para seus discípulos vemos seu compromisso com o propósito estabelecido no Éden de espalhar por toda terra a Imago Dei redimida e ter, pelo valor do seu sacrifício santo substitutivo, livre acesso entre os seus candeeiros de ouro, sua igreja eleita (Ap 1.13).

Em diversos momentos, alguns bem marcantes em seu ministério terreno, percebemos o  compromisso messiânico em esclarecer o propósito divino de levar a Imago Dei por toda a terra e não apenas em ser uma exclusividade de Israel.

Já nos Salmos temos essa confissão sobre o intento divino de estabelecer sua imagem e semelhança através do governo e relacionamento divino com todas as nações e por toda a terra. Textos como Sl 47.1, 7; 48.10; Sl 50.1-2; Sl 66.1-5; Sl 67.3 entre outros reforçam o argumento que Jesus apresenta enquanto discipulava seu grupo mais seleto para a missão que lhes outorgaria com sua partida.

Em seu grande comissionamento, podemos claramente perceber a mesma fórmula missiológica dirigida à Abraão com uma nova perspectiva: Uma vez que Israel havia falhado em ser uma cidade modelo em governo, justiça e santidade divina e abrir seus portões santos para a corrupção idólatra com nações pagãs, os discípulos da nova aliança deveria ir adentrando no mundo em trevas levando os valores divinos que Israel pecou em não perpetuar.

“Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” (Mt 28.19-20. Grifo meu).

É esse sentimento de obediência que impulsiona a igreja primitiva pós-pentecostes que fez com que a dispersão por perseguição se tornasse em um desbravamento de um campo missionário vastos para os cristãos do início do primeiro século. Observemos que após a aparição e assunção de Cristo, o que ficou de seu ensinamento está resumido no compromisso de manterem o testemunho da nova vida em Cristo (o resgate da Imago Dei) tanto em Jerusalém, como toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra. O evento em Pentecostes serve como um estímulo missiológico para que a mensagem do evangelho fosse pregada para todas as nações e línguas ali representadas. Em At 2.11 percebemos a repetição da fórmula abraâmica de tornar famílias abençoadas por toda a terra a partir da submissão e fé no Deus trino. A mensagem ouvida na língua materna e o teor da mensagem – as grandezas de Deus mostram que o plano divino ainda se mantinha o mesmo: espalhar a Imago Dei restaurada por toda a terra.

Foi por essa via que a igreja cresceu no primeiro século. Quando as perseguições contra os cristãos se acentuaram em At 8.4 percebemos que motivados pelos ensinos e doutrina apostólica a igreja usou o momento adverso para cumprir seu chamado missionário. A tarefa deveria continuar em obediência apesar das dificuldades que aparecem no mundo caído.

Importante destacar neste ponto que, as cartas do Novo Testamento são uma teologia prática teologicamente fundamentadas nos ensinos da Lei e de Cristo que demonstram como a igreja recém inaugurada deveria expandir a Imago Dei redimida nas mais diferentes situações e nos mais distintos contextos. A pregação apostólica perpetuada em suas epístola era um chamado ao arrependimento, à conversão e ao despojar-se da velha natureza para assim, os pecadores redimidos alcançados pela graça pudessem se revestir de Cristo (um retorno à Imago Dei antes da queda).

A visão dos glorificados e o êxito da missão da Igreja

No livro de Apocalipse temos um interessante e importante relato joanino sobre o que ele viu como “consumação dos séculos” ou como uma “escatologia revelada”. No capítulo 4 o apóstolo cruza uma porta que lhe transporta a uma realidade onde a fisicalidade e a cronologia não lhes são aplicáveis (Ap 4.1-2).

Não temos como definir para quando no tempo e no espaço João fora levado a ver, pois ele vê as mesmas coisas que Micaías (1Rs 22.19-22), Isaías (6.1-13), Daniel (Dn 7.9-14) e Ezequiel (Ez 1.26-28) e o apóstolo Paulo (2Co 12.1-6). Não temos como posicionar cronologicamente essa visão, pois, assim como João disse “Ele se achou em espírito” (4.2). Isso nos mostra que a realidade das coisas espirituais mostra-se incompreensível quando tentamos interpreta-las pelas leis naturais da física.

João diz que viu uma porta aberta no céu (4.1) talvez simbolizando a possibilidade de conexão entre o natural e o espiritual que lhe fora apresentado. Em sua narrativa, enquanto dormia, Jacó também teve uma visão de uma escada que subia até o céu por onde os anjos transitavam (Gn 28.12) e maravilhado ele chega a exclamar: É a casa de Deus, a porta dos céus (Gn 28.17). Tal visão joanina, portanto, era histórica e biblicamente possível.

Através dessa porta João vê e também ouve (4.1) e é chamado para cruzar a porta para ver o que existia do outro lado. A visão mostra-se crescente nos capítulos seguintes. João vê o Trono, Aquele que está sentado no Trono, os serafins, os anciãos, os anjos e finalmente vê o Cordeiro. Os capítulos seguintes revelam o drama da abertura dos selos por aquele que fora achado digno e por fim, ponto de interesse deste artigo, como o capítulo 7 revela a visão dos glorificados em um grande culto de adoração ao que está assentado no Trono e ao Cordeiro (Ap 7.9-17).

A visão de João contemplou o que estava acontecendo com os salvos em Cristo que foram selados em suas frontes para que nenhum mal lhes suceda diante de todo o terrível Dia do Juízo que estava sendo manifesto entre os ímpios (Ap 6.12-17). Ele vieram da “grande tribulação” e por causa da obra salvífica de Cristo estão agora servindo ininterruptamente no santuário de Deus, diante do Trono. (Ap 7.14-15)

A visão ilustrou, pelo uso joanino cultural e metafórico do número 144mil, o cumprimento da promessa de Cristo que nenhum dos que são seus se perderia e que a totalidade perfeita ali expressa consola e anima a igreja militante ao longo das eras.

Neste ponto do estudo cabe esclarecer a mesma pergunta feita pelo ancião ao apóstolo e assim, compreender a importância da missão de igreja direcionada em At 1.8 e o resgate da Imago Dei por toda a terra.

Em Ap 7.9 João descreve uma “grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas”. A multidão aqui vista é um misto de toda as famílias da terra que foram abençoadas pela aliança da graça divina que resgata e redime a Imago Dei maculada pelo pecado original. Tala multidão estava espalhada por todo o habitat criado por Deus para que o homem exercesse seu domínio e rendesse toda glória ao Criador.

Observe que aqui há o cumprimento escatológico da promessa feita a Abraão. Todas as nações, línguas e povos possuem famílias abençoadas, eleitas pela vontade divina, abençoadas pelo amor gracioso do Pai, resgatadas pelo valor do sacrifício do Filho e guardadas perseverantes pela ação do Espírito Santo.

Portanto, não seria precipitado afirmar a inerente conexão entre o propósito do Éden (de que o homem povoasse, cultivasse e estabelecesse altares de adoração por toda a terra) e a visão dos glorificados que João agora contemplava. O propósito original fora restaurado. A criação fora redimida, o homem voltou à presença de Deus, o pecado em sua presença, condenação e maldição fora definitivamente extirpado – caracterizado pelo uso das vestiduras brancas e o serviço sacerdotal no santuário eterno (Ap 6.11;7.15).

Outra importante observação é que o instrumento usado por Deus para que os glorificados fossem iluminados pela Palavra libertadora fora a pregação do Evangelho e o testemunho da Imago Dei redimida a ponto de mártires servirem com a própria vida. (Mt 24.14; Mt 28.19 e At 1.8).

Por essa questão, a pauta aqui defendida é sobre a insistente militância da igreja na propagação da Palavra que salva e liberta o pecador tornando-o participante na visão joanina do Apocalipse. Deve reverberar em nossas igrejas, liturgias, programações e todas as ações planejadas em nossos calendários anuais responder à pergunta paulina:

“Como porem invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Rm 10.13-15)

O êxito representado na visão de João é, portanto, fruto da tarefa conjunta da redenção possibilitada apenas pela ação de Cristo e a responsabilidade missionária da igreja em cumprir a comissão de Cristo e o aspecto testemunhal até os confins da terra ao longo dos tempos.

Os salvos, santificados e glorificados cantam e louvam em resposta à graça divina realizada em suas vidas. O teor do louvor é claro e tem a ver com o que aconteceu com cada um deles: Eles louvam àquele a quem pertence a salvação e pela bênção que foi derramada “graciosamente” sobre eles. Isso ocorreu, historicamente, pela ação missionária da igreja de Cristo.

“Os vencedores reconhecem que sua vitória é realmente uma vitória de Deus, uma vez que ela foi obtida pelo seu poder”[1]. Com seu cântico (em diferentes línguas e culturas – famílias da terra) eles ecoam por todo o céu uma única mensagem: Ao Senhor pertence a salvação e os glorificados foram alcançados por ela. Por isso louvam eternamente ao seu Salvador.

Aplicações e Considerações finais

Diante de tudo que foi exposto aqui precisamos apresentar aspectos práticos para nossa atividade missionária cotidiana. O texto aqui apresentado tem como finalidade tornar-se algo pedagógico, mas também prático e agora, alguns pontos serão apresentados para chegar a esse fim.

  1. O plano de Deus sempre fora o de tornar seu nome glorificado por toda a terra através de seus filhos e de sua criatura em santidade.

Observamos que desde o Éden o mandato de Deus para o primeiro casal visava a abrangência de toda a terra e também todas as famílias. Tal propósito, apresentado ainda no mundo antes da queda fora dado por Deus como um imperativo e não como uma sugestão. Isso nos ensina que nossa missão deve sempre pensar em alcançar os confins da terra para que todas as famílias da terra sejam abençoadas e ouçam a Palavra que liberta. Somos missionários e nosso foco não deve ser apenas geograficamente local, mas visando sempre todos os povos, línguas e nações, conforme a visão dos glorificados.

  • A queda tornou a evangelização uma tarefa urgente e prioritária da igreja.

Uma vez que o primeiro casal fora expulso do Éden, representando a presença e relacionamento ininterruptos com o Criador. É parte essencial da existência do povo da aliança o resgate dessa condição. Liturgias, ritos, programações e calendários devem surgir em torno desta necessidade. De cumprir o propósito de expansão do Éden (o jardim de Deus) para todo o mundo e assim reestabelecer aquilo que o pecado destruiu.

  • Cristo equipa sua igreja para ter sucesso naquilo que Israel falhou – ser sal e luz para todas as famílias da terra.

É assim que a modalidade missionária do Novo Testamento pode ser definida. Uma vez que Israel peca e se contamina com as nações pagãs a seu redor, os discípulos agora são chamados a irem até as nações levando a luz do Evangelho e a salvação mediante a fé em Cristo. A mesma bênção trinitária e a mesma ferramenta ministerial lhes é conferida – a Lei do Senhor.

  • A visão de João dos glorificados é uma garantia do sucesso, mas um chamado ao compromisso por empreendimentos missionários urgentes.

O apóstolo Pedro em 2Pe 3.9 afirma que Deus é longânimo em cumprir sua promessa de retorno visando que a palavra chegue a todas as famílias da terra de toda tribo, língua, povo e nação que foram compradas pelo sangue de Cristo (Ap 5.9).

Isso torna a tarefa da igreja uma iniciativa com final garantido. João contemplou o êxito, mas estamos no momento entre eras que nos chama ao serviço missionário urgente. Missão não é um “tiro no escuro”, sem saber qual será o resultado. O apóstolo já viu o resultado. A igreja venceu, levou a Palavra de Cristo até os confins da terra, mas precisa fazer isso no tempo que se chama hoje de forma intencional, operante e dedicada.

O presente artigo apresentou uma visão integral do propósito divino de ter um relacionamento santo e puro com todas as famílias da terra que representam a Imago Dei redimida, como fora outrora no Éden. Tal propósito não é novo. Não foi uma invenção moderna da igreja, mas o desejo de Deus deste os princípios. Diante dos argumentos somos chamados para cumprir essa missão e expandir a glória e a Palavra de Deus que abençoa as famílias iniciadas em Abraão. Somos atuantes para que a visão dos glorificados seja uma realidade escatológica confirmada pela graça divina e pela responsabilidade da igreja no cumprimento de sua missão. Uma jornada já com garantia de êxito, com um final glorioso, marcada pelo empenho e esforço de um povo que quer levar a glória de Deus até os confins da terra.

Sola Missio!


[1] BEALE. 2017.p.146.

Madson Oliveira

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