Logos, termo grego que no latim foi traduzido por verbum, é entendido na filosofia como a razão enquanto primeira substância ou causa do mundo, na teologia como a segunda pessoa da divindade. Heráclito foi quem primeiro definiu o pensamento sobre o logos quando disse que os homens são ignorantes com relação ao ser do logos antes e depois de ouvirem falar dele, não o conhecendo mesmo que tudo aconteça por seu intermédio. Para a filosofia grega o logos é a própria lei do cosmo, de onde todas as leis humanas derivam porque esta domina em tudo e prevalece a tudo.

Os estóicos citados por Lucas em Atos 17.18 viam no logos o principio ativo e formador do mundo. O pensador Plotino dizia que o logos age na matéria como um princípio ativo natural, não é pensamento nem visão, mas potência capaz de modificar a matéria, potência que não conhece, mas age como selo que imprime sua forma ou como objeto que reproduz o seu reflexo, sendo assim, neste sentido o logos é o próprio intelecto divino ordenador do mundo.

Como identificação divina o logos passou a ser visto assim antes do cristianismo, encontrando sua primeira formulação em Fílon de Alexandria, na sua doutrina o logos é o intermediário entre Deus e o mundo, o instrumento da criação divina. Fílon dizia que o logos é a sombra de Deus, servindo a Ele como instrumento. Diferente do mito, o logos é visto na filosofia como algo que Deus coloca na alma do ser humano como verdade íntima.

João, fazendo uma intersecção com este pensamento grego expressa na sua epístola a presença do logos divino, pois como escrevia na língua predominante na época o próprio grego, se apropriou do pensamento sobre o logos para difundir a pessoa de Cristo através do termo. Portanto no cristianismo o logos é identificado diretamente com a pessoa de Cristo, equiparando-o com o Deus Pai, mas também tendo uma participação na natureza humana. No conceito joanino o logos é monoteísta, ético, escatológico e nada tem a ver com a concepção gnóstica ou puramente estóica. João falou sobre o logos referindo-se ao Javé do A.T. que através de Sua Palavra tem o poder que cria e sustenta o mundo, traz luz, revelação e julgamento sobre os povos e é efetiva para a salvação dos povos.

O ponto central da declaração de João no texto acima é a encarnação do logos onde todo o evangelho se apresenta, onde as boas novas são definitivamente proclamadas, onde o apóstolo apresenta o logos como o próprio Deus, como segunda pessoa da trindade santa, como aquele que estava presente na criação (Gn 1.1), como a fonte de todas as origens desde toda a eternidade, o logos e Deus não são apenas idênticos, mas são apenas um. Para João o logos é o sustentador da existência das coisas criadas, nada está fora da sua atividade criativa e sustentadora, o logos é o portador da vida, da salvação e da eternidade.

O pensamento sobre o logos sempre teve uma origem religiosa, os filósofos só recorreram a ela quando quiseram dar um caráter religioso a seus pensamentos, reconhecendo no logos a existência e a revelação de Deus, ou seja, o saber, o eu, a imagem e fundamento da vida divina. Portanto quando João revela o logos através do seu evangelho, está tão somente nos confirmando quem é o sustentador de nossas vidas, Jesus Cristo o Senhor.

Otoniel Oliveira
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Sônia
1 ano atrás

Quanta a imagem acima de pastor nos dois sentidos,pra mim e vocação.