Embora seja tabu em muitos círculos evangélicos a depressão é um assunto que aparece no cânon bíblico e que está presente na história da humanidade desde que o pecado original trouxe desajustes de todas as formas para a criação de Deus.

É muito comum nas rodas de conversas informais e em ambientes de opiniões leigas ouvir comentários com o seguinte conteúdo: Depressão é pecado!” “Isso é coisa de quem é fraco!” “Depressão é coisa do demônio!” “Depressão é só besteira!”. E, por conta de posturas, por vezes, extremistas ou preconceituosas como essas, acrescidas ao menosprezo à pessoa abatida e o despreparo no acompanhamento efetivo que demonstre lampejos de graça e cuidado divino é que a depressão tem se tornado um grande incomodo entre cristãos e não cristãos.

Longe de ser um problema recente, a depressão é um desajuste emocional antigo presente na humanidade. O sofrimento humano é o mesmo ao longo do tempo, diferenciando apenas em suas nuances ou nas formas de adoecimento. Por isso, falar de depressão certamente é falar da própria existência humana pós-queda. Certamente o termo depressão fora evidenciado e utilizado em diagnósticos clínicos de forma mais presente a pouco mais de cem anos, mas suas manifestações são visíveis e se misturam à própria história da humanidade. A depressão, portanto, existe, está presente ao longo da história e necessita de uma séria compreensão de suas causas e efeitos. Não apenas como problema das clínicas psiquiátricas ou dos consultórios de psicólogos e psicoterapeutas (considerando a possibilidade de que a Graça Comum ofereça a tais abordagens alguma eficácia mesmo que paliativa diante de tal problema) compete à teologia respostas consistentes e suficientes para tratar daquilo que convictamente surge como um problema teológico: a depressão, assim como toda enfermidade, desajuste e desarmonia na criação é fruto do pecado original!

O episódio da queda é tão significativo em sua abrangência que só ficaremos livres de suas consequências quando da reconfiguração de todas as coisas. Com a queda vieram os desajustes físicos – emocionais – biológicos – na natureza – no universo, etc. Sentimentos como culpa, medo, pânico, solidão, desamparo são nitidamente percebidos nas páginas das Escrituras pós-queda, destacando assim o grande estrago que o pecado trouxe ao mundo.

A depressão não é algo novo, sua nomenclatura atribuída pela Psiquiatria e “classificada” pelos DSM’s sim! Temos na Bíblia vários casos onde Deus trata de pessoas com desajustes emocionais intensos e os coloca em uma nova qualidade de vida. Pela Bíblia, a depressão pode ser apresentada por seus sintomas, causas e também nas escrituras encontramos uma forma eficaz de tratamento.

Crentes não precisam ter medo de falar de depressão, não precisam ter medo de terem depressão e não precisam achar que a Bíblia não trata do assunto com clareza e eficácia!

Compartilho abaixo algumas verdades que precisamos conhecer quando falamos sobre a Bíblia e a Depressão.

1. Não é verdade que a Bíblia não fala sobre depressão!

O termo depressão é novo: surge em 1952 com a publicação do primeiro Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-I). Embora já houvesse imensa pesquisa para entender esse problema que se agravara na metade do séc XIX não havia consenso sobre sua descrição.

Freud chamava de Melancolia; na idade média era chamada de Acídia caracterizada pelo descuido, apatia, preguiça, indolência, negligência e enfraquecimento e considerada como um dos sete pecados capitais; na Grécia de  Hipócrates (460 a.C.-370 a.C.),caracterizada pela persistência do ânimo entristecido, perda do ideal, sentimento de um abismo emocional infinito, extinção do desejo e da fala, atração exacerbada pela morte, pelas ruínas, pela nostalgia e pelo luto comumente chamada também de Doença da maturidade, do outono e da terra manifestos pelo excesso da “bile negra; nos tempos bíblicos ela é chamada de espírito abatido, alma entristecida, clamor pela morte, semblante caído, vergonha da existência e coração enegrecido. (Sl 88, Sl 32.3-4, 1Rs 19.4; Jr. 20.14, Sl 42.5…).

Na verdade, é da Bíblia e dos escritos cristãos primitivos de onde se extraem as mais antigas informações sintomáticas sobre depressão. A Bíblia fala de depressão bem antes de todas as ciências modernas!

2. A depressão não é uma coisa de diagnóstico simples

Tecnicamente Depressão não pode ser chamada de doença – uma condição patológica de uma parte, órgão ou sistema de um organismo resultante de várias causas, tais como infecções, defeitos genéticos, alterações metabólicas, ações virais, etc, comprovadas a partir de sinais e sintomas e observáveis a partir de alterações comprovadas por exames laboratoriais com valores de referência – Não há exames laboratoriais, raios -x, ou qualquer exame físico que possa diagnosticar a depressão. A lógica é simples: sem patologia comprovada em laboratório, não há a doença, sem a doença não há tratamento e sem tratamento não há medicações ou fórmulas eficientes. Por isso que a depressão é de tão difícil compreensão e tratamento!

Os critérios usados hoje pelo DSM-IV e V que diagnosticam os transtornos de humor ainda não são satisfatórios e conclusivos pois não abrangem certas particularidades do indivíduo.

Um detalhe importante a ser destacado é que a depressão aparece como elemento colateral em inúmeras doenças fazendo dela não uma doença, mas um sintoma de uma doença: hiper e hipotireoidismo, Alzheimer, lúpus, câncer de pâncreas e ovário, alterações de níveis hormonais, etc…

Prefiro então apresentar uma definição mais bíblica do que é a depressão: Um desajuste das emoções diante da existência corrompida pelo pecado humano! Tudo pode ser causa da depressão, inclusive o nada! Tudo depende de como o sujeito encara suas expectativas existenciais versus as decepções ao seu redor.

3. O aconselhamento bíblico é o método mais eficaz para o tratamento da depressão

Estamos tratando prioritariamente de uma parte imaterial do ser: Emoção.

Os pressupostos da psiquiatria, psicanálise e psicologia são todos humanistas, materialistas e existencialistas compromissados com Darwin e sua visão de mundo de que o homem é um animal criado a partir do caos inicial e fruto da evolução aleatória – daí a Bíblia ser a mais competente para compreender da imaterialidade humana e ter habilidade para tratar do assunto. A Escritura nos ensina que Deus criou o homem de forma diferenciada do restante da criação e que somos sua imagem e semelhança carregando em nós seu sopro divino.

A Bíblia coloca cada sintoma da depressão em seu lugar correto e o faz relacionando-os com Deus e sua Palavra com seu propósito de tratar das emoções desajustadas pelo seu soberano poder e graça.

A Bíblia é a única que conhece o homem perfeito e mesmo que as “Psis” queiram “consertar” as emoções do homem chegariam no limite de só o conhecerem a partir da sua natureza caída, portanto, sem um referencial maior de cura. Apenas as Escrituras revelam o estado de perfeição do homem antes da queda e eternamente com Cristo e apenas em suas páginas sabemos do glorioso fim longe de dor e sofrimento que aguarda os cidadãos glorificados do novo céu e da nova terra celestial.

Temos em nossas mãos uma importante ferramenta capaz de ajudar os homens em seus desajustes emocionais e direciona-los para aquele que o único caminho para cuidar integralmente e eternamente de nós. A Bíblia certamente tem a resposta de Deus para a depressão!

Madson Oliveira

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